Há muitas explicações para a falta de recursos na vida de uma pessoa ou na vida de uma nação. Quero analizar aqui, ainda que brevemente, a história do Haiti buscando nela as razões para sua pobreza endêmica.
A ilha foi descoberta por Cristovão Colombo em 5 de Dezembro de 1442, batizada de La Isla Hispañola, aí viviam milhares de indios Taínos. Cristovam deixou um grupo de colonizadores ai, mas quando regressou em 1443, haviam desaparecido. Outros grupos vieram e pouco a pouco pequenas vilas naceram embora os Taínos desaparecessem devido possivelmente a doenças europeias.
Em 1606 o rei da Espanha ordenou que os colonizadores se mudassem mais para perto da capital da ilha, Santo Domingo, por medo dos constantes ataque de pirates franceses, os bucaneros, estabelecidos no norte, na ilha Tortuga. Contudo isso abriu as portas para a invasão de piratas inglêses, holandêses e franceses na costa oeste da ilha.
O Rei Luiz XIV oficializou a colonia da ilha Tortuga e estabeleceu Cap François (hoje Cap Haitian)no oeste da ilha, chamando-as Saint-Domingue, mais tarde reconhecida pela Espanha no Tratado de Ryswick em 1697. A colonia cresceu e escravos foram trazidos para trabalharem nas plantações de tabaco, índigo, algodão, cacau e mais tarde açucar e café.
A rápida expansão da agricultura fez com que Saint-Domingue fosse conhecida como "a pérola das Antilhas". Nos idos de 1750 ela exportava 40% de todo açucar e 60% de todo café consumido na Europa. Era ela a colonia mais rica de todo o imperio Francês, isso às custas de mais de 500.000 escravos explorados por menos de 32.000 brancos. Vindos da Guinea, Congo, e Dahomey, o maltrato os uniu mantendo a cultura africana e o culto vudú.
A Revolução Francesa de 1789 fez com que certos Mulatos, mestiços livres com certos direitos, buscassem a igualdade de todos, rejeitados pelo governo da ilha e por outros mulatos donos de escravos, foram presos e executados, contudo suas ideias permaneceram. Logo depois um sacerdote vudú,Dutty Boukman, iniciou uma revolta queimando centenas de fazendas no norte. Capturado e morto porém sua ação levou o governo a declarar em 1793 o fim da escravidão.
Oponentes à libertação dos escravos pediram ajuda à Inglaterra, esta se preparou para invadir a colonia, contudo sob a liderança de Toussaint Louverture, foram derrotados. Este invadiu Santo Domingo, declarou o fim da escravidão lá e unificou a ilha. Em 1802 Napoleão Bonaparte mandou forças retomarem a ilha, Toussaint, chamado para um acordo, foi preso e mandado para França onde morreu no ano seguinte.
Rochambeau, enviado de Napoleão lhe escreve "Devemos restabelecer a escravidão, e destruir, pelo menos, 30 000 negros e negras " Em seu desespero, voltou-se a terriveis atos de brutalidade. Eles foram queimados vivos, enforcados, afogados, presos e torturados, enterrados em montes de insetos ou fervidos em caldeirões de melaço. Uma noite, em Port-republicano, ele deu uma festa convidando as senhoras mulatas mais proeminentes e, à meia-noite, anunciou a morte de seus maridos. Depois de uma batalha, Rochambeau enterrou 500 prisioneiros vivos; Dessalines , lider da rebelião, respondeu enforcando 500 prisioneiros franceses.
O exército liderado por Dessalines, devastou Rochembeau e o exército francês na Batalha de Vertieres em 18 de novembro de 1803. Jean Jacques Dessalines se tornou o primeiro imperador em primeiro de janeiro de 1804, declarando sua independência , recuperando o nome taíno de Haiti ("Terra das Montanhas") para a nova nação. A maioria dos colonos franceses restantes fugiram à frente do exército francês derrotado, muitos migrando para Louisiana ou Cuba. Ao contrário de Toussaint, Dessalines mostrou pouca complacencia com os brancos. Em um ato final de vingança mais de 2 000 franceses foram massacrados em Cap-Français, 900 em Port-au-Prince, e 400 em Jérémie. Ele emitiu uma proclamação declarando, "vingamos estes canibais, guerra por guerra, crime por crime..."
Apesar da vitória do Haiti, a França se recusou a reconhecer a soberania do país recém-independente até 1825, em troca de 150 milhões de francos ouro. Esta taxa, exigida como retribuição pela "propriedade perdida", escravos, terra, equipamento, etc, foi posteriormente reduzida para 90 milhões. Haiti concordou em pagar o preço para poder levantar o embargo imposto pela França, Grã-Bretanha e os Estados Unidos, mas para fazê-lo, o governo haitiano teve que tomar empréstimos a juros elevados. A dívida não foi integralmente paga até 1947.
Com sua agricultura destruida, a nova nação regressou a viver nos moldes tribais da Africa. De 1804, ano de sua independencia, até hoje, o Haiti ainda pratica uma agricultura manual, de subsistencia. A pobreza que afeta 90 % da população haitiana, hoje mais de 10.000.000 (dez milhões), se deve a falta de lideranças capazes de reverter este quadro endêmico.
( I Parte ) Na parte II desse capitulo do nosso novo livro "Haiti, Abraçando a Vida" a ser lançado em meados de fevereiro 2011, discutiremos como o Haiti pode e deverá sair do estado em que se encontra.
A ilha foi descoberta por Cristovão Colombo em 5 de Dezembro de 1442, batizada de La Isla Hispañola, aí viviam milhares de indios Taínos. Cristovam deixou um grupo de colonizadores ai, mas quando regressou em 1443, haviam desaparecido. Outros grupos vieram e pouco a pouco pequenas vilas naceram embora os Taínos desaparecessem devido possivelmente a doenças europeias.
Em 1606 o rei da Espanha ordenou que os colonizadores se mudassem mais para perto da capital da ilha, Santo Domingo, por medo dos constantes ataque de pirates franceses, os bucaneros, estabelecidos no norte, na ilha Tortuga. Contudo isso abriu as portas para a invasão de piratas inglêses, holandêses e franceses na costa oeste da ilha.
O Rei Luiz XIV oficializou a colonia da ilha Tortuga e estabeleceu Cap François (hoje Cap Haitian)no oeste da ilha, chamando-as Saint-Domingue, mais tarde reconhecida pela Espanha no Tratado de Ryswick em 1697. A colonia cresceu e escravos foram trazidos para trabalharem nas plantações de tabaco, índigo, algodão, cacau e mais tarde açucar e café.
A rápida expansão da agricultura fez com que Saint-Domingue fosse conhecida como "a pérola das Antilhas". Nos idos de 1750 ela exportava 40% de todo açucar e 60% de todo café consumido na Europa. Era ela a colonia mais rica de todo o imperio Francês, isso às custas de mais de 500.000 escravos explorados por menos de 32.000 brancos. Vindos da Guinea, Congo, e Dahomey, o maltrato os uniu mantendo a cultura africana e o culto vudú.
A Revolução Francesa de 1789 fez com que certos Mulatos, mestiços livres com certos direitos, buscassem a igualdade de todos, rejeitados pelo governo da ilha e por outros mulatos donos de escravos, foram presos e executados, contudo suas ideias permaneceram. Logo depois um sacerdote vudú,Dutty Boukman, iniciou uma revolta queimando centenas de fazendas no norte. Capturado e morto porém sua ação levou o governo a declarar em 1793 o fim da escravidão.
Oponentes à libertação dos escravos pediram ajuda à Inglaterra, esta se preparou para invadir a colonia, contudo sob a liderança de Toussaint Louverture, foram derrotados. Este invadiu Santo Domingo, declarou o fim da escravidão lá e unificou a ilha. Em 1802 Napoleão Bonaparte mandou forças retomarem a ilha, Toussaint, chamado para um acordo, foi preso e mandado para França onde morreu no ano seguinte.
Rochambeau, enviado de Napoleão lhe escreve "Devemos restabelecer a escravidão, e destruir, pelo menos, 30 000 negros e negras " Em seu desespero, voltou-se a terriveis atos de brutalidade. Eles foram queimados vivos, enforcados, afogados, presos e torturados, enterrados em montes de insetos ou fervidos em caldeirões de melaço. Uma noite, em Port-republicano, ele deu uma festa convidando as senhoras mulatas mais proeminentes e, à meia-noite, anunciou a morte de seus maridos. Depois de uma batalha, Rochambeau enterrou 500 prisioneiros vivos; Dessalines , lider da rebelião, respondeu enforcando 500 prisioneiros franceses.
O exército liderado por Dessalines, devastou Rochembeau e o exército francês na Batalha de Vertieres em 18 de novembro de 1803. Jean Jacques Dessalines se tornou o primeiro imperador em primeiro de janeiro de 1804, declarando sua independência , recuperando o nome taíno de Haiti ("Terra das Montanhas") para a nova nação. A maioria dos colonos franceses restantes fugiram à frente do exército francês derrotado, muitos migrando para Louisiana ou Cuba. Ao contrário de Toussaint, Dessalines mostrou pouca complacencia com os brancos. Em um ato final de vingança mais de 2 000 franceses foram massacrados em Cap-Français, 900 em Port-au-Prince, e 400 em Jérémie. Ele emitiu uma proclamação declarando, "vingamos estes canibais, guerra por guerra, crime por crime..."
Apesar da vitória do Haiti, a França se recusou a reconhecer a soberania do país recém-independente até 1825, em troca de 150 milhões de francos ouro. Esta taxa, exigida como retribuição pela "propriedade perdida", escravos, terra, equipamento, etc, foi posteriormente reduzida para 90 milhões. Haiti concordou em pagar o preço para poder levantar o embargo imposto pela França, Grã-Bretanha e os Estados Unidos, mas para fazê-lo, o governo haitiano teve que tomar empréstimos a juros elevados. A dívida não foi integralmente paga até 1947.
Com sua agricultura destruida, a nova nação regressou a viver nos moldes tribais da Africa. De 1804, ano de sua independencia, até hoje, o Haiti ainda pratica uma agricultura manual, de subsistencia. A pobreza que afeta 90 % da população haitiana, hoje mais de 10.000.000 (dez milhões), se deve a falta de lideranças capazes de reverter este quadro endêmico.
( I Parte ) Na parte II desse capitulo do nosso novo livro "Haiti, Abraçando a Vida" a ser lançado em meados de fevereiro 2011, discutiremos como o Haiti pode e deverá sair do estado em que se encontra.



1 comments:
gostei muito dessa materia, sobre Haiti,porque tanta Pobreza, e fui tocado para escrever um livro sobre a pobreza do Hati, gostaria muito de conversar contigo amado, para ver se me manda algumas fotos que o senhor tirou la, eu colocaria no livro, e com a venda fariamos missoes para ajudar o Haiti, este livro seria em portugues e ingles o que o Pastor acha da ideia? aguardo contato. com carinho sempre. Pastor Jorge Castilho.
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